Fumantes leves podem não escapar do vício da nicotina, revela estudo

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Mulher fumante

Mesmo as pessoas que se consideram fumantes casuais de cigarros podem ser viciadas, de acordo com os critérios diagnósticos atuais. Pesquisadores do Penn State College of Medicine e da Duke University descobriram que muitos fumantes leves – aqueles que fumam de um a quatro cigarros por dia ou menos – cumprem os critérios para o vício em nicotina e, portanto, devem ser considerados para tratamento.

“No passado, alguns consideravam que apenas os pacientes que fumavam cerca de 10 cigarros por dia ou mais eram viciados, e ainda ouço isso algumas vezes”, disse Jonathan Foulds, professor de ciências de saúde pública e psiquiatria e saúde comportamental, Penn State. “Mas este estudo demonstra que muitos fumantes mais leves, mesmo aqueles que não fumam todos os dias, podem ser viciados em cigarros”. Ele também sugere que precisamos ser mais precisos quando perguntamos sobre a freqüência do cigarro”.

De acordo com Jason Oliver, professor assistente de psiquiatria e ciências comportamentais da Duke University, ao avaliar o vício em nicotina – clinicamente referido como ‘transtorno do uso do tabaco’ – os clínicos são encorajados a avaliar completamente os 11 critérios listados na 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM-5). Como um atalho, disse ele, os clínicos normalmente perguntam aos fumantes quantos cigarros eles fumam por dia.

“O fumo mais leve é corretamente percebido como menos prejudicial que o fumo pesado, mas ainda carrega riscos significativos à saúde”, disse Oliver. “Os médicos às vezes percebem os fumantes mais leves como não viciados e, portanto, não necessitando de tratamento, mas este estudo sugere que muitos deles podem ter dificuldade significativa para parar de fumar sem assistência”.

Os pesquisadores examinaram um conjunto de dados existentes dos Institutos Nacionais de Saúde, incluindo mais de 6.700 fumantes que haviam sido totalmente avaliados para descobrir se eles cumpriam os critérios do DSM-5 para o transtorno do uso do tabaco. Eles descobriram que 85% dos fumantes de cigarro diários eram viciados em algum tipo de dependência – seja leve, moderada ou severa.

“Surpreendentemente, quase dois terços daqueles que fumam apenas um a quatro cigarros por dia eram viciados, e cerca de um quarto daqueles que fumam menos do que semanalmente eram viciados”, disse Foulds.

Os pesquisadores descobriram que a gravidade do vício em cigarros, como indicado pelo número de critérios atendidos, aumentou com a freqüência do fumo, com 35% dos fumantes de um a quatro cigarros por dia e 74% dos fumantes de 21 cigarros ou mais por dia sendo moderada ou severamente viciados.

Os resultados apareceram no dia 22 de dezembro no American Journal of Preventive Medicine.

“Esta foi a primeira vez que a gravidade do vício do cigarro foi descrita em toda a gama de freqüência de uso do cigarro”, disse Foulds, um pesquisador do Penn State Cancer Institute.

Oliver acrescentou que o estudo destaca a alta prevalência do distúrbio do uso do tabaco mesmo entre aqueles considerados fumantes leves e fornece uma base a partir da qual o tratamento pode começar a visar essa população.

“Pesquisas anteriores descobriram que os não fumantes diários são mais propensos que os fumantes diários a fazer uma tentativa de parar de fumar”, disse Oliver. “Os médicos devem perguntar sobre todo comportamento tabagista, incluindo o não-fumante diário, já que tais fumantes ainda podem precisar de tratamento para parar de fumar com sucesso. No entanto, não está claro até que ponto as intervenções existentes são eficazes para os fumantes leves. Esforços contínuos para identificar abordagens ideais de cessação para esta população continuam sendo uma direção importante para pesquisas futuras”.

Referências

Light smokers may not escape nicotine addiction, study reveals
https://medicalxpress.com/news/2020-12-smokers-nicotine-addiction-reveals.html

Jason A. Oliver et al. Association Between Cigarette Smoking Frequency and Tobacco Use Disorder in U.S. Adults. American Journal of Preventive Medicine. Published: December 22, 2020 DOI:doi.org/10.1016/j.amepre.2020.10.019

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